2. SUPERNOVAS junho 2012

1. COMER VERDURAS E FAZER EXERCCIO ALTERA O SEU DNA
2. NOTAS RPIDAS
3. ESSENCIAL  CRIATIVIDADE NO  PETRLEO
4. CONEXES  DE BOB DULAN A BOB ESPONJA
5. CINCIA MALUCA
6. O ROB FALSIFICADOR
7. IDEOLOGIA DO TOPLESS
8. POLMICA  MULHERES: USEM SUA BELEZA PARA CONSEGUIR AS COISAS
9. PAPO  ELE PROCURA ETs (DE VERDADE)
10. BANCO DE DADOS  GOOGLE
11. INFOGRFICO  TODAS AS CORES DA ARTE

1. COMER VERDURAS E FAZER EXERCCIO ALTERA O SEU DNA
Novos estudos revelam que a boa alimentao e os hbitos saudveis so ainda mais importantes do que se imaginava  porque tm o poder de ligar ou desligar os genes humanos. 
TEXTO EDUARDO SZKLARZ

     Todo mundo sabe que fazer exerccios e comer verduras faz bem. Mas novos estudos esto revelando que esses hbitos so ainda mais poderosos do que se imagina: eles podem mudar o seu DNA, alterando o funcionamento dos genes.
     A prova disso surgiu em um estudo realizado por cientistas da Universidade de McGill, no Canad. Eles acompanharam 27 mil pessoas que possuam o gene 9p2i  que aumenta o risco de doenas cardacas. Nos voluntrios que consumiram uma dieta rica em vegetais, esse gene parou de funcionar. Isso acontece porque o microRNA, molcula presente no material gentico das plantas, interage como DNA humano  tendo o poder de ativar ou desativar nossos genes. Alm dos nutrientes das plantas, tambm estamos comendo informaes que podem regular nosso material gentico, diz o lder do estudo, o bioqumico Chen-Yu Zhang, da Universidade de Nanjing, na China.
     J a atividade fsica  capaz de mexer com o DNA dos msculos. Quando voc se exercita, entram em ao enzimas que alteram o funcionamento dos genes dos msculos. Elas reprogramam o tecido para que ele queime gordura e acar de forma mais eficiente, diz a cientista Juleen Zierath, do Instituto Karolinska, na Sucia. Em ambos os casos, as alteraes so temporrias. Se voc parar de se exercitar ou comer verduras, seus genes voltam ao estado anterior. A chave da vida saudvel est programada no seu cdigo gentico  mas tambm depende de bons hbitos no dia-a-dia. 


2. NOTAS RPIDAS

LIVRO DE HITLER SER RELANADO NA ALEMANHA
Mein Kampf (Minha Luta), que foi escrito por Adolf Hitler e desde 1945 est banido do pas, ir voltar s Livrarias alems. A obra ser republicada pelo governo do estado da Bavria, que ir incluir crticas ao nazismo e explicaes histricas junto com o texto original. Segundo as autoridades, a medida, que gerou polmica no pas,  uma tentativa de se antecipar a grupos neonazistas  que devero reeditar Mein Kampf a partir de 2015, quando ele passar a ser de domnio pblico. No Brasil, j existe uma editora interessada em lanar o Livro.

RICOS SE PREOCUPAM MAIS COM O FUTURO 
Os moradores de pases ricos usam mais o Google para pesquisar sobre acontecimentos futuros. J as pessoas de pases pobres se interessam mais pelo passado.

PASES DESENVOLVIDOS  MAIS INTERESSADOS NO FUTURO
SUA  1,43 (ndice Future Orientation)
AUSTRLIA  1,42
BLGICA  1,24
REINO UNIDO  1,23
USTRIA  1,19
HOLANDA  1,19
ALEMANHA  1,18
FRANA  1,15
JAPO  1,12

PASES DESENVOLVIDOS  MAIS INTERESSADOS NO PASSADO
EUA  0,99
ITLIA  0,98
PORTUGAL  0.85

PASES EM DESENVOLVIMENTO (MAIS INTERESSADO NO FUTURO)
BRASIL  1,08

PASES EM DESENVOLVIMENTO (MAIS INTERESSADO NO PASSADO)
IR 0,77
CHILE  0,76
MXICO  0,65
NDIA  0,6
NIGRIA  0,55
COLMBIA  0,47
VIETN  0,23

Fonte: Guantifying the Advantage of Looking Forward, Tobias Preis e outros, Universidade de Boston.


BEYONC D NOME A MOSCA
Cientistas homenageiam cantora ao batizar nova espcie de inseto; veja outros animais com nome de celebridade.
Beyonc  Scaptia beyonceae (mosca) 2012
Chico Mendes  Apistogramma mendezi (peixe) 1994
Adolf Hitler  Anophthalmus hitleri (besouro) 1933
Algelina Jolie  Aptostichus angelinajolieae (aranha) 2008
Mick Jagger  Aegrotocatellus jaggeri (trilobite) 1995

AEROPORTO TER FILA MENOR PARA QUEM PAGAR
A novidade j vale em 9 aeroportos dos EUA. O viajante paga US$ 100, tem seu passado investigada e, se for aprovado, no precisa nunca mais passar pela fila do raio X nem tirar os sapatos. Para participar,  preciso ser convidado por uma companhia area.

CIENTISTA CRIA VULO EM LABORATRIO
Pesquisadores do Hospital Geral de Massachusetts conseguiram gerar vulos em laboratrio usando clulas-tronco humanas. Agora, eles pretendem fecund-los para ver se nasce um embrio humano.

AL QAEDA ESCONDEU DOCUMENTOS EM FILME PORN
Segundo a polcia alem, o computador de um membro da Al Qaeda preso em Berlim continha 141 documentos de texto com instrues e informaes sobre o grupo. Usando uma tcnica chamada esteganografia, o terrorista havia escondido os documentos dentro de um arquivo de vdeo  de um filme porn.

10,8 trilhes de watts  a energia desperdiada anualmente nos EUA com consoles de vdeo game que ficam ligados quando a pessoa no esta jogando, segundo a Universidade Carnegie Mellon.  o suficiente para abastecer todas a casas do Brasil durante um ms.

EU SEI QUE NO  CERTO. MAS FAO ASSIM MESMO,
diz o ex-soldado Hyman Strachman, de 92 anos, que se especializou em gravar DVDs piratas e envi-los para as tropas americanas no Iraque e no Afeganisto. Hyman j mandou mais de 4 mil filmes, incluindo lanamentos como O Artista, e nunca foi processado.


2. ESSENCIAL  CRIATIVIDADE NO  PETRLEO
Estamos exaurindo o planeta, e o que resta agora  um futuro de fome, falta de gua, aquecimento global... Certo? No, porque a Terra tem um recurso natural infinito: a inventividade humana. E ela pode fazer mais do que parece. 
TEXTO ALEXANDRE VERSIGNASSI

     O mundo do estava acabando em 1915. A populao de cavalos nos EUA tinha chegado a um ponto insustentvel. Eram 21 milhes de animais consumindo, cada um, 4 toneladas de comida por ano, entre gros e alfafa. Um tero das terras agricultveis dos EUA estava dedicado  alimentao deles. Mas no dava para viver sem cavalos. A agricultura dependia dos quadrpedes. Sem cavalo para puxar arado, voc no tem plantio de larga escala. E sem plantio de larga escala no dava para alimentar uma populao mundial que j roava a marca de 2 bilhes de habitantes. Mas agora a conta ameaava no fechar mais. Era a profecia do economista Thomas Malthus virando realidade: a Terra no teria condies de suportar bilhes de pessoas. Malthus tinha previsto isso l atrs, em 1798. Os donos do dinheiro no deram ouvidos. E agora, em pleno 1915, era tarde demais. Mas no. Se voc est lendo este texto agora  porque passamos bem pela crise da superpopulao equina. E o heri que salvou o mundo dessa tem nome: petrleo.
     O motor  combusto interna, na forma de tratores e carros, substituiu os cavalos. E o petrleo tomou o lugar dos gros e da alfafa no papel de fonte de energia, liberando terras para o plantio de comida para humanos. De quebra, um subproduto da produo de petrleo, o gs natural, virou a base para a produo de fertilizantes  sem os quais no daria mesmo para alimentar bilhes de cabeas humanas. E hoje uma parte razovel do que voc come passou por uma fbrica de fertilizantes antes de entrar na sua boca  carvo, gs e ar, a matria-prima dos insumos agrcolas, entraram para o nosso cardpio. Ainda bem. O boom na produo de comida alimentou outro: a da produo de riqueza na forma de bens materiais. Essa sim, e no a populao, cresceu de forma exponencial, como traduz o jornalista ingls Matt Ridley em seu livro O Otimista Racional: A classe mdia americana de 1955, luxuriante em seus carros, confortos e aparelhos eltricos, hoje seria descrita como abaixo da linha da pobreza nos EUA. Hoje, dos americanos oficialmente designados como pobres, 99% tm energia eltrica e geladeira, 95% tm televiso. No Brasil, o salto  at mais espantoso, j que nosso boom de produo de riqueza  bem mais recente. Em 1992, um quarto dos domiclios no tinha televiso. Em 2009, 95,6% tinham. A penetrao das mquinas de lavar quase dobrou desde 1992 para c: de 24% das casas para 44%. E tem os celulares. No ano 2000, a Finlndia chegava  marca de um celular por habitante. Em 2010, o Brasil ultrapassou. E hoje temos 247 milhes de linhas, ativas, contra 195 milhes de habitantes.
     Mas agora a prosperidade  a vil. O discurso comum  o de que, nesse ritmo, a Terra no aguenta. Haja ltio para tanto celular. Haja carvo para tanto consumo de energia. Haja fertilizante para os trabalhadores braais que hoje se alimentam mais e melhor que o rei Henrique 8. A conta tambm no fecha mais para o motor de combusto interna. Nem para o carvo como fonte de energia  no d mais para brincar com as emisses de CO2, e com o clima. E tem a gua: a produo de 1kg de carne demanda 15 mil litros de gua. E com bilhes de Henriques 8s por a, o planeta chia: hoje 2,7 bilhes de pessoas sofrem com falta de gua pelo menos durante um ms por ano. Mas, de novo, nada disso significa que Thomas Maltus estava certo. A tecnologia que nos livrou do caos l atrs agora nos leva a outro caos. Ok. S que j comeam a pipocar solues. Na ponta da energia, h o carvo limpo  termeltricas que eliminam o CO2 da fumaa que emitem. Os gastos com essa filtragem seriam cobertos com um aumento de 30% na conta de luz  indigesto, mas vivel. E a fuso nuclear, que no deixa resduos radiativos e promete energia virtualmente infinita, continua no horizonte. Na ponta da gua, a soluo pode estar numa criao do inventor do Segway, Dean Kamen: um aparelho capaz de transformar gua salgada (e de esgoto e de rios poludos) em gua potvel. Cada unidade, do tamanho de um frigobar, produz mil litros de gua por dia  havendo energia limpa e barata para que esses frigobares possam trabalhar, teremos gua para tantos quantos cavalos ou Heriques 8s existirem no mundo. Tudo isso  a salvao da lavoura?
     No. Temos muito a resolver antes de decretar a viabilidade de um mundo para 10, 20 bilhes de pessoas. Mas iniciativas desse tipo mostram um ponto que Thomas Malthus e outros profetas do apocalipse no costumam levar em conta: o de que a inventividade humana no  petrleo. No  um recurso finito. 


4. CONEXES  DE BOB DULAN A BOB ESPONJA
TEXTO FBIO MARTON

BOB DYLAN - Considerado por muitos o maior artista de todos os tempos, Dylan  o rei do papo cabea musical. Sua fase clssica  o comeo dos anos 60, quando fazia msica folk de protesto. Em 1965, Dylan enfrentou uma controvrsia bizarra. Foi hostilizado pelo pblico e pela crtica por seu lbum Bring It All Back Home. Tudo porque ele tinha...
GUITARRAS ELTRICAS - A guitarra e o rock and roll eram vistos como coisas de alienado pelos crticos e fs da folk music politizada que Dylan fazia. S os Beatles, a partir do lbum Rubber Soul (1965),  que conseguiram convencer o mundo de que o rock podia ser uma forma de arte sria. To sria, alis, que levou a uma rixa inusitada. Com os...
BEACH BOYS - Os Beach Boys eram uma despretensiosa banda de surf music. Mas o vocalista, Brian Wilson, se sentiu desafiado pelo reconhecimento dos Beatles e, em 1966, mudou o estilo da banda no lbum Pet Sounds, bastante artstico. Wilson teve uma crise nervosa e perdeu espao no grupo. Que viria a ser influncia para gente como...
TOM KENNY - No incio dos anos 1980, Kenny era vocalista da banda The Tearjerkers, que imitava descaradamente os Beach Boys  e foi um fracasso. Tanto que ele decidiu mudar de ramo, virando ator, comediante e dublador. Mas s pegava papis menores. At ir para a Nickelodeon, onde tirou a sorte grande e se tornou a voz de...
BOB ESPONJA - O desenho foi criado pelo bilogo marinho Stephen Hillenburg, que havia se tornado animador no incio dos anos 90. Para dar personalidade ao atrapalhado Bob Esponja, o dublador Tom Kenny criou uma voz bem caracterstica, aguda e meio fanhosa. Que guarda certa semelhana, mritos artsticos  parte, com a de Bob... Dylan.


5. CINCIA MALUCA
TEXTO CAROL CASTRO

BARATAS PODEM SER FONTE DE ENERGIA
Cientistas americanos tiveram a ideia de inserir dois fios no abdmen de uma barata, que foi conectada a uma mquina. E voil: o acar que o inseto trazia na barriga gerou 1 microwatt de eletricidade. Energia suficiente para alimentar um minicomputador que os pesquisadores haviam inventado  e que controla o crebro da pobre barata.

GARONETES QUE TOCAM NOS CLIENTES VENDEM MAIS BEBIDA
A concluso  de uma pesquisa da Universidade da Virgnia, que mandou 144 pessoas beberem em bares. Todos os voluntrios, homens e mulheres, consumiam mais lcool se fossem tocados pelas garonetes. Mas o efeito era mais forte entre os homens  prova cientfica de que rapazes bbados tendem, sim, a confundir as coisas.

MENDIGO  MENOS INFELIZ EM PAS POBRE
 o que mostra uma pesquisa do psiclogo Robert Biswas-Diener, que entrevistou moradores das ruas de Calcut, na ndia, e de Fresno, nos EUA. Os indianos relataram um nvel 30% maior de satisfao com a vida. Mesmo reclamando da falta de moradia, os mendigos indianos mostraram boa autoestima  ao contrrio dos americanos.


6. O ROB FALSIFICADOR
Caneta eletrnica reproduz perfeitamente a assinatura de polticos e celebridades  para o bem e para o mal.

     Em 2011, Barack Obama tinha um documento extremamente importante para assinar. Era um projeto de lei polmico, renovando a autorizao para torturar suspeitos de terrorismo. O Pentgono queria que ele fosse aprovado imediatamente, sob pena de colocar os EUA em risco. S que Obama estava longe, em viagem  Frana. O que fez? Apelou para a autopen: um aparelho de US$ 7 mil que tem a capacidade de reproduzir assinaturas com perfeio (chega at a simular variaes naturais, como tremidinhas e irregularidades, para deixar a assinatura mais autntica ainda). Um assessor simplesmente colocou o documento na frente da mquina, que estava na Casa Branca, e apertou um boto. Pronto.
     A autopen foi inventada em 1937, mas Obama foi o primeiro presidente a us-la para assinar algo importante (John Kennedy tinha feito uso do aparelho, nos anos 60, mas s em cartas para eleitores). A assinatura original  escaneada num computador e transferida para a mquina, capaz de assinar 10 papis por minuto. O aparelho tambm  usado por celebridades, como o ator Johnny Depp, para autografar fotos enviadas aos fs. E tambm pode ser empregado em fraudes  como na falsificao de autgrafos, que tm todo um mercado nos EUA (o mais caro e raro  o do astronauta Neil Armstrong, que vale US$ 8700).
     A autopen no  usada no Brasil. Uma lei assinada pelo chefe de Estado tem validade, independente de se ele usou a autopen, explica o jurista Coriolano Almeida Camargo. Para isso, o uso do aparelho teria de ser previamente autorizado por uma lei. Escrita  e assinada  por mos humanas. 
TEXTO ANNA CAROLINA RODRIGUES


7. IDEOLOGIA DO TOPLESS
Quem so e o que querem as ucranianas do grupo Femen  que ficaram mundialmente famosas por fazer manifestaes polticas sem roupa. 
TEXTO MARINA DARMAROS, DE MOSCOU

     Elas puseram os peitos de fora na Sua (pelo fim da conspirao no Frum Econmico Mundial), em Roma (pela queda de Silvio Berlusconi), em Paris (contra o ex-diretor do FMI Dominique Strauss-Khan) e tambm em sua terra natal, a Ucrnia, contra a realizao da Copa da Uefa no pas (que, segundo elas, ir estimular o turismo sexual). A gente mete o nariz em tudo, admite Anna Gutsal, 27 anos, lder e fundadora do grupo. Junto com as amigas Sasha Shevchenko, e Oksana Shachko, ela fez o primeiro topless de protesto em 2008, contra a falta dgua no alojamento estudantil da Universidade de Kiev. No deu certo. Mas o grupo sim: hoje o Femen tem aproximadamente 340 integrantes, das quais 40 participam das manifestaes nudistas. Elas geralmente so presas aps os protestos e passam 1 ou 2 dias na cadeia, mas dizem que nunca sofreram abuso sexual de policiais  que demonstram medo de toc-las. Os seios so armas, como granadas, diz Sasha. As participantes so recrutadas via redes sociais e pelo site do grupo (femen.livejournal.com), que rene mulheres de diversas profisses, como jornalista, contadora, designer, bancria e apresentadora de TV.
     Embora as fotos sempre mostre manifestantes jovens, magras e bonitas, as Femen dizem que isso  uma escolha dos fotgrafos  e que no h restrio de idade (a participante mais velha tem 63 anos) nem de aparncia para fazer parte do grupo. A gente mantm a forma correndo para no ser presa, brinca Anna. Elas dizem que gostariam de vir ao Brasil. Recebemos muitas cartas nos parabenizando e pedindo ajuda na luta contra a prostituio. Gostaramos muito de ir ao seu pas. Por favor, nos convidem. Ns iremos e vamos lutar juntas. Sem suti,  claro. 


8. POLMICA  MULHERES: USEM SUA BELEZA PARA CONSEGUIR AS COISAS
A beleza  sinal de fertilidade  e  um diferencial desde os tempos dos homens da caverna. Quem no a possui costuma condenar as mulheres que se aproveitam dela. Mas qual o problema de us-la a seu favor? 
TEXTO LUIZ FELIPE POND 
(* Luiz Felipe Pond  doutor em filosofia pela USP e ps-doutor pela Universidade de Tel Aviv. Texto adaptado de seu livro Guia Politicamente incorreto da Filosofia)

     As feias odeiam as bonitas. No, no estou sendo cnico. Beleza atrai inveja e, nas mulheres, beleza  sempre fundamental. Sendo assim, pode uma mulher usar sua beleza como forma de sobrevivncia ou ela deve buscar ser feia porque a maioria ?
     A mulher sempre usou sua beleza, provavelmente desde os tempos em que morvamos em cavernas. E por razes bvias: a maioria esmagadora dos homens baba pela beleza feminina. Um dos erros crassos do feminismo  confundir problema de cadeia (espancamento de mulheres) com vida cotidiana. A dificuldade do feminismo est em no delirar: uma coisa  impedir que uma mulher dirija um carro, como em alguns pases muulmanos, outra coisa  dizer que, se ela usa sua beleza para conseguir uma coisa, est sendo vtima de abuso de poder. A afirmao chega a ser risvel.
     A maior inimiga da beleza da mulher  a outra mulher, a feia. A condenao do uso da beleza feminina por parte das mulheres  uma ferramenta das que no tm, por azar (a beleza ainda  um recurso contingente), acesso  beleza. Claro que h sofrimento aqui, mas de nada adianta resolver o sofrimento negando um fato bvio: as feias tm raiva das bonitas. No caso dessa oposio beleza x fealdade nas mulheres (em todos ns, mas nas mulheres mais, pelas razes que descrevi acima), vidas so dilaceradas pela inveja da beleza numa mulher. As feias, que so maioria e a regra, s aceitam uma mulher bonita quando esta j no  mais to bonita. Beleza no  s beleza.  abundncia, fertilidade, fecundidade, enfim,  signo de vida. Sentir-se excluda disso por um simples azar (por isso se gasta tanto dinheiro para corrigir esse azar, com plsticas e outras intervenes) di como uma espcie de condenao que perpetua a solido e a esterilidade.
     A beleza numa mulher me faz querer entend-la melhor, ouvi-la, ser mais generoso com ela, mais justo, enfim, ser um homem melhor. No se trata apenas de um desejo meramente animal. O alcance espiritual da beleza  fato estudado pelas religies: o mal inveja a beleza do bem. Mas, para alm da dimenso espiritual, no h nada melhor no mundo do que uma mulher linda a fim de voc.
     Por isso,  melhor levarmos a beleza mais a srio. Toda tentativa de proibir a exibio da beleza feminina  um ato nascido da inveja. Se voc for bonita, observe se no trabalho no tem alguma feia que a detesta. O dio das feias pelas bonitas nada mais  do que a agonia que a abundncia gera na precariedade. Como somos seres precrios  somos mortais, insignificantes cosmicamente e frgeis biologicamente , a falta de beleza  a regra (quase) universal.


9. PAPO  ELE PROCURA ETs (DE VERDADE)
O astrnomo americano Geoff Marcy j descobriu mais de 100 planetas. Agora, o pesquisador da Universidade de Berkeley se entediou e decidiu procurar novas civilizaes. Ele busca inteligncia extraterrestre  o que envolve procurar sinais de ondas emitidas por sociedades aliengenas inteligentes. Os esforos at agora se concentraram na procura por ondas de rdio. Mas nada foi encontrado. Por um motivo: Marcy aposta que deveramos procurar por raios lasers enviados por ETs.
TEXTO SALVADOR NOGUEIRA

Por que, para encontrar aliengenas, devemos procurar por ondas? 
J sabemos que civilizaes avanadas podem estar se comunicando com suas colnias usando quaisquer comprimentos de onda, desde rdio at raios gama. Estamos desenvolvendo novas tcnicas, com novos detectores e telescpios, para cobrir a luz visvel e o infravermelho. Vamos torcer para que eles estejam transmitindo nessas frequncias!

Voc aposta no laser como a forma de comunicao aliengena. Por qu?
Na verdade, nossos militares esto usando lasers, e no ondas de rdio. Aposto nos lasers porque eles so mais eficientes do ponto de vista energtico e permitem que a comunicao seja mais privativa.

Um paradoxo da busca por ETs  que ela supe que as civilizaes que podemos achar devem ser bem mais antigas e avanadas (pelo simples fato de o Universo ser bem mais velho que a humanidade) e ao mesmo tempo presume que vai usar tecnologias s quais temos acesso agora, como rdio e lasers. Faz sentido isso? 
 um bom argumento. Suspeitamos que nossas tecnologias para comunicao sejam primitivas comparadas s de civilizaes avanadas. Talvez elas no usem rdio ou nenhuma outra onda eletromagntica. H duas respostas para isso. Primeiro, talvez estejamos errados e a luz ainda seja a melhor forma de comunicao at mesmo para civilizaes avanadas. Afinal, ainda usamos vozes e papis, que so tecnologias antigas, apesar de milhares de anos de avanos. De fato, quando a televiso foi inventada, as pessoas diziam que os rdios se tornariam obsoletos. No aconteceu. Agora, mesmo que esse no seja o caso e os aliengenas estejam usando formas avanadas de comunicao, s podemos procurar sinais que conhecemos. No podemos buscar tipos de comunicao que no conseguimos imaginar. No fim, estamos limitados pela imaginao. Precisamos tentar fazer as descobertas sem saber por antecipao se h alguma chance de sucesso.

Alm dos sinais de laser dos ETs, vocs tambm esto procurando esferas Dyson. Elas seriam enormes bolas construdas por civilizaes avanadas ao redor de estrelas, que serviriam para absorver energia solar.  uma teoria Legal, concebida pelo fsico britnico Freeman Dyson. Mas como podemos procurar um negcio desse?
Sim, estamos tentando detectar esferas Dyson. Procuramos estrelas que se tornam completamente escuras por um perodo e depois voltam a brilhar. A mudana drstica do brilho aconteceria se uma civilizao a cobrisse com uma esfera gigante para coletar a luz da estrela. Mas poderia haver janelas ou vos na esfera, por onde a luz poderia brilhar. 


10. BANCO DE DADOS  GOOGLE 
Ele armazena uma quantidade enorme de dados, mas no  o maior site da internet. J deu 7 voltas ao mundo, quer chegar  Lua e gosta de cachorros, mas no de gatos. Conhea o outro lado do todo-poderoso online.
INFOGRFICO RAPHAEL SOEIRO E RAFAEL QUICK

UM GOOGOL, termo matemtico que deu origem ao nome Google,  igual ao nmero 1 seguido por 100 zeros (ou o valor em reais que voc gostaria de ter)

Quando voc faz uma busca, os dados percorrem uma grande distncia entre o seu computador e as mquinas do Google. Em mdia, 2500 KM.
S em 2012, o Google mudou o logo de sua homepage 79 VEZES.

MAPAS
5 TIPOS DE VECULO (carro, bicicleta, carrinho de mo, snow mobile e bote) so usados pelo Google Street View. Mais de 300 mil quilmetros, ou 7,5 vezes a volta ao mundo,  a distncia j percorrida pelos carros do Street View.

SUSTENTABILIDADE
0,01% de toda a eletricidade global  consumida pelo Google.
1 MILHO  a quantidade de computadores do site. Isso equivale a 2% de todos os servidores do mundo.
Mas 35% de toda energia usada pelo Google vem de fontes renovveis, como painis solares e energia elica.
9212 painis solares esto instalados na sede do Google, nos EUA.
50%  quanta eletricidade os data centers do Google economizam se comparados com os de outras empresas.

ROTINA
70  o nmero de escritrios que a empresa tem espalhados pelo mundo.
200 CES circulam diariamente, levados pelos donos, na sede do Google nos EUA. Gatos no podem entrar.
20% do tempo, ou 1 dia por semana,  livre para que os funcionrios se dediquem a um projeto pessoal.
2000 bicicletas foram oferecidas pelo Google a seus funcionrios permanentes na Europa para incentiv-los a deixar o carro.
3 REFEIES gourmet so servidas diariamente aos funcionrios.

DADOS
1600 x - Quando comeou, o Google indexava 25 milhes de pginas da web. Hoje, estima-se que este nmero seja de 40 bilhes. 1600 vezes mais.
14,2 BILHES de resultados  o que aparece quando se pesquisa Google, no Google.
O Google armazena 95 petabytes de informaes  o equivalente a 100 milhes de gigabytes. Um pouco menos do que o Facebook.
620 MILHES de visitantes acessam diariamente a pgina do Google.com. Cada usurio gasta em mdia 12 minutos. Ou seja: a humanidade passa 7,4 BILHES de minutos por dia no site.

DINHEIRO
200 BILHES de dlares  o valor de mercado do Google. Entre as empresas de tecnologia, perde para Apple e Microsoft.
Valor em bilhes de dlares:
Apple 567
Microsoft 261
Google 200
A empresa tem 32.000 funcionrios. Em 2004, eram 3 mil.
150 empresas foram compradas pelo Google desde 1998.  Elas deram origem a servios como Google Earth e Google Docs.

LUA
US$ 30 MILHES  o que o Google est oferecendo a quem conseguir fazer um rob pousar na lua.
O rob precisa andar 500 m na superfcie lunar e filmar a viagem.

Fontes: Alexa, Google, Nasdaq, New York Times, Pingdom.com, ComScore e PCMag.com


11. INFOGRFICO  TODAS AS CORES DA ARTE
Pegamos 45 das mais importantes obras das artes plsticas e mandamos um computador analis-las. O resultado  uma grande Histria das Artes das Cores. Economize aqui as suas entradas para os museus.
INFOGRFICO FABRICIO MIRANDA, KARIN HUECK E GABRIEL GIANORDOLI

RENASCIMENTO  SCULOS 14 A 17
O casamento da Virgem, Rafael  Tons de pele: retratos e cenas bblicas eram i hit. Por isso, tanta cor de pele nas obras.
A Criao de Ado, Michelangelo  Pastel: os afrescos no eram desbotados originalmente, mas o tempo os lavou.
ARISTOTELISMO - Durante a Idade Mdia e boa parte do Renascimento, as teorias de Aristteles serviram pra descrever a cincia. E, para o grego, as cores mais importantes do espectro eram vermelho e amarelo (alm do azul) As duas primeiras aparecem firmes e fortes  alm de muitos tons pastel e grandes quantidades de bege (veja por que ao lado)
O Nascimento da Vnus (1485) - Veja as cores primrias aqui tambm: o azul do cu, o amarelo da Vnus e vermelho do manto que vai envolv-la.
Mona Lisa (1502) - A grande inveno de Da Vinci  usar leves sombras para desenhar o rosto da mulher. Por isso, Mona fica com este ar misterioso.

BARROCO E ROMANTISMO  SCULO 17 A 19
A Ronda Noturna, Rembrandt  Holofote: iluminar apenas um elemento do quadro servia para dar aquela dramatizada.
Amor Vitorioso, Caravaggio -  Volume: entre a luz e a escurido esto as sombras, o primeiro efeito 3D da histria.
TREVAS - O barroco  a poca das emoes exageradas. Tudo nos quadros devia sensibilizar o espectador. Assim, usavam contrastes entre luz e escurido e caprichavam no realismo. Geralmente, as cenas ficavam expostas em um fundo escuro, o personagem central era bem claro e as sombras serviam para dar volume e textura as figuras.
Saturno Devorando um Filho (1819?) - Cenas grotescas e personagens desprezados ganharam as telas. O espanhol Goya era mestre em criar manchas de sombra para dar volume. Foi o que ele fez neste adorvel retrato de Saturno.

IMPRESSIONISMO  SCULO 19
Monte de Saint-Victoire, Paul Czanne  Mato: sair do ateli = pintar a natureza. Por isso, h tanto amarelo, verde e azul aqui.
A Aula de Dana, Edgar Degas -  Claridade: um tema amado era representar a luz sobre as saias de belas mulheres.
LUZ E PAISAGEM - Claude Monet, o pintor francs das pontes, acreditava que os quadros deveriam ser feitos fora dos atelis e sempre diante do modelo real. Para isso, era preciso aprender a representar as mudanas contnuas do mundo exterior  principalmente na luz. Isso era feito com pinceladas dispersas e o uso de diversos tons da mesma cor.
Impresso (1872) - Poucas cores, muitos traos: para retratar o nascer do Sol, o reflexo na gua e as nuvens, Monet misturou todas as tintas em cima da prpria tela.
Quarto em Arles (1888) - Van Gogh gostava de brincar com cores opostas. Veja o azul da parede contra o rosa do cho. E a cama laranja no meio.

SCULO 20
Harmonia em Vermelho, Henri Matisse -  Cheguei: os quadros deixaram de ser realistas e podiam focar as cores exageradas.
Marilyn Diptych, Andy Warhol -  Tanto faz: a pop art subvertia a lgica das cores para chamar a ateno do objeto.
Nmero 31, Jackson Pollock  Pinga-pinga: ao jogar a tinta nos quadros, Pollock deixou as interpretaes abertas.
PIRA NAS CORES - O perodo abrange escolas muito diferentes, como cubismo, popart e surrealismo. Mas quase todas deixaram de representar a realidade e partiram para o abstrato. Com isso, pararam de copiar formas e tons reais e passaram a usar cores mais saturadas (puras), como o vermelho, o turquesa e o amarelo-berrante, que no existem na natureza.
Les Demoiselles DAvignon (1907) - A cor refora a fragmentao do cubismo. As mulheres so rosa e o fundo  azul, mas, opa, uma das paredes  rosa tambm.
A Persistncia da Memria (1931) - Por mais contraditrio que parea, os quadros surrealistas so os que costumam ter as cores mais realistas.

